O que deveria ser discutido
Uma amiga me disse, ao ver na TV o arrastão promovido por sete meninas entre dez e 14 anos de idade, e sua sequência - mães e pais ausentes, Estado omisso, gente sem futuro: "Isso devia estar sendo discutido, e não a Copa do Mundo, os aeroportos, sei lá o quê". Em atenção a ela, hoje vestirei mais a condição de professor de ética que a de filosofia política, ou melhor, enfatizarei o caráter ético na discussão sobre o poder.
Muitos sabem de que se trata. As meninas fizeram um arrastão na Vila Mariana, em São Paulo. Foram detidas. As mães de quatro delas foram buscá-las na polícia. O delegado prendeu-as por "abandono de incapaz" - porque não cumpriram o papel de mãe, cuidando das filhas. Uma repórter, chocada, contou que foi à casa de uma delas, no Jardim Maravilha, a léguas de onde as garotas roubavam. Uma mãe tinha sete filhos, o esgoto corria pelas "ruas", crianças brincavam na água poluída. A Defensoria Pública pediu que as mães fossem soltas. A Globo News mostrou a gravação, feita no banheiro, de uma mãe repreendendo a filha: "Volta no mesmo local do crime, mas é besta mesmo, né!" Um pai apareceu na delegacia, indignado porque a mulher ainda estava presa. É isso.
Antes de tudo: por que essas questões não são discutidas, nem resolvidas? Por que, enquanto isso, o Estado de São Paulo anuncia a construção de um túnel entre Santos e Guarujá, no qual gastaremos 1 bilhão e 300 milhões de reais? E por que debatemos estádios, em vez de crianças que viverão mal, morrerão cedo e talvez matem?
É sórdido uma mãe ensinar a filha a roubar
A primeira questão: algumas mães têm muitos filhos e mal cuidam, quando cuidam, deles. Tanto que foram encontrados bem longe de sua moradia. É imoral e criminoso os pais largarem suas crianças. Não concordo com quem, simplesmente, tem pena de pessoas que põem crianças no mundo, sem mostrar responsabilidade por seu futuro. Mas como lidar com isso, ainda mais numa democracia, que não pode impedir ninguém de ter os filhos que quiser? Até porque, se os pais forem presos por descaso, aí as crianças ficarão mesmo sem ninguém.
É terrível o que a gravação da TV revela. É sórdido uma mãe ensinar a filha, de quem já não cuida, a roubar. Só isso mereceria severa punição legal, pois é incitar menor ao crime. Mas volta o problema: como resolver a questão de tantas crianças que, nas inúmeras horas sem escola, são largadas na rua?
Aqui, divisões políticas imperam - mas não para resolver, e sim atrasar a solução do problema. A esquerda já combateu a ideia de controlar a natalidade dos pobres: limitar o número de filhos seria uma proposta "de direita", para não enfrentar o "verdadeiro" problema, que seria a distribuição de renda. Bobagem: uma ação não exclui a outra. A gravidez indesejada, sobretudo de adolescentes, precisa acabar. O ideal é só ter filhos quem deseje tê-los e possa mantê-los. Uma boa educação sexual pode trazer o primeiro resultado, além de reduzir os abortos. Paternidade e maternidade devem ser responsáveis. Mas este simples parágrafo já deve causar muita divergência, entre quem concorda com uma parte e não outra, ou com nenhuma. Não temos saída, porém, se não unirmos esforços nesta prioridade humana e nacional.
E a escola? Dá para admitir que crianças não tenham o que fazer a não ser vagar pela rua, com pais que as mandam se virar para terem o que comer? Leonel Brizola, trinta anos atrás, deu a solução: centros integrados em que crianças e adolescentes passariam o dia todo, estudando, fazendo esporte, comendo e até tomando banho. Mas os Cieps foram abandonados. Com o nome de CEU, ressurgiram na gestão de Marta Suplicy em São Paulo e também não tiveram sequência. São caros, mas são a saída mais barata. Dizia o Bradesco, nos envelopes em que mandava extratos de conta, décadas atrás: "Educai as crianças para não punirdes os adultos". O que queremos, escolas ou cadeias?
Temos aqui uma série de culpados ou, se quiserem, de (ir)responsáveis. Há pais e mães que não cuidam dos próprios filhos; há o Estado, que não provê educação nem saneamento básico; há nós mesmos, que discutimos se é melhor o túnel ou a ponte para o Guarujá, ou - mea culpa que vale por hoje - se é melhor um governante do que outro, um sistema ou outro.
Mas não seria esta a oportunidade de, como a sociedade tanto quer, aproximar a política do "mundo real"? Aqui, há que somar em vez de dividir. Haverá posições diferentes sobre tudo o que mencionei, mas é possível, respeitando a divergência, unir o máximo de empenhos. Tudo depende disso. Se essas e muitas outras crianças não forem salvas, boa parte irá para o crime - com prejuízo enorme para as vidas e paz geral. Isso para não falar nos talentos que tantas têm e serão desperdiçados, porque jamais terão chance de desenvolvê-los.
Uns dez anos atrás, ouvi do Padre Julio Lancelotti que o custo para cuidar de um adolescente em liberdade assistida - isto é, que delinquiu - de modo a recuperá-lo, seria de algo como seis salários mínimos por mês, se não me engano por dois anos, incluindo os profissionais que cuidariam deles e são necessários. É caro. Mas era cerca de metade do que custava cada internado na Febem, para resultados pífios.
Hoje disse que trataria de ética, mais que de política. Mas há outro modo de salvar a política? No Brasil, como no mundo desenvolvido, é enorme o descontentamento com a falta de ética na política. Há algo mais elementar na ética que cuidar da prole? Aqui, estão em jogo prioridades do Estado e de cada pessoa. Há erros do governo, erros dos pais, erros nossos. Não seria esse um bom lugar para começar a construir laços, a melhorar como vivemos juntos?
Renato Janine Ribeiro
Na mesma casa e com o mesmo sexo
Na primeira sondagem do IBGE sobre casais gays no país, pouco mais de 60 mil pessoas declararam viver nessa condição. O DF é o segundo do ranking nacional. São 1.200 uniões homossexuais. No Rio de Janeiro, o número ultrapassa 10 mil
Pela primeira vez em quase 140 anos, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mediu a quantidade de pessoas que moram com companheiros do mesmo sexo. Em todo o país, 60.002 casais responderam que vivem dessa forma — 0,16% do total de 37,5 milhões de pessoas no Brasil que afirmaram aos entrevistadores serem casadas.
O Distrito Federal é a segunda unidade da Federação com mais casais gays residindo na mesma casa, segundo as declarações feitas aos recenseadores — são 1.239 dos 476.060 que se declararam casados — e perde apenas para o Rio de Janeiro, onde 10.170 dos 3,1 milhões dos casais se declararam do mesmo sexo. O Piauí foi o estado que teve menor registro no quesito cônjuge do mesmo sexo (312).
Durante a coleta de dados do Censo, a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) realizou uma campanha para que os homossexuais declarassem sua condição aos recenseadores. A mobilização ganhou a internet e diversas paradas gays pelo país, com o slogan IBGE: se você for LGBT, diga que é! O objetivo foi garantir que a população homossexual fosse mensurada pela primeira vez em todo o país.
Casais como Gilberto Masi, 35 anos, e Itamar Matos, 33, aprovaram a ideia. “Respondemos ao Censo e destacamos que estamos juntos”, contou Itamar. Eles dividem o lar há pouco mais de um ano e acreditam que a medida é mais uma arma contra o preconceito em relação à união homossexual. “O caminho é esse, de igualdade de direitos perante qualquer cidadão”, destacou Gilberto.
Segundo o IBGE, a alteração no questionário não teve a intenção de revelar o percentual de homossexuais da população brasileira, mas de qualificar ainda mais a pesquisa. Para técnicos do órgão, a forma como o levantamento era feito, apenas com a opção cônjuge, deixava dúvidas sobre possíveis erros dos recenseadores no momento em que assinalavam o sexo do entrevistado.
Negros e pardos
Além dos dados definitivos do Censo 2010, o IBGE divulgou alguns resultados preliminares, mas já referendados pelo órgão. Os números apontam um crescimento na proporção de pessoas que se autodeclararam pretas ou pardas — de 44,6% em 2000 para 50,7% no ano passado, um aumento de 6 pontos percentuais. Esse mesmo índice é equivalente à queda de brasileiros que se denominaram brancos — de 53,7% para 47,7%.
No Distrito Federal, a proporção de pretos e pardos supera média nacional. Aqui, 55,95% da população se declarou dentro dessas categorias de cor. O crescimento de tais índices no Brasil vem sendo verificado anualmente pelas pesquisas de amostra domiliciar realizadas pelo IBGE. Para especialistas no tema da igualdade racial, o fenômeno ocorre devido a uma maior valorização do negro na sociedade.
Sudeste lidera
Impulsionada pelo Rio de Janeiro, a Região Sudeste é a que concentra o maior número de casais homossexuais: 32.202. Em seguida, curiosamente vem o Nordeste, conhecido por abrigar uma população mais conservadora. Lá, são 12.196 uniões entre pessoas do mesmo sexo. Depois estão o Sul (8.034), o Centro-Oeste (4.141) e o Norte (3.429).
Curiosidades
599.2047
Número de crianças de até 10 anos no Brasil que não têm certidão de nascimento registrada em cartório. O problema é verificado, principalmente, na Região Norte, onde os acessos a cidades maiores são difíceis.
58
Quantidade de municípios criados na última década. Só o Rio Grande do Sul teve um incremento de 29. Na Região Centro-Oeste, foram 20 novas cidades, das quais 15 estão
em Mato Grosso.
Borá, o menor município do país
Borá, no interior de São Paulo, mantém o título de menor município do Brasil em população. Na última década, a cidade recebeu 10 pessoas a mais na lista de habitantes, totalizando os atuais 805. A cidade mineira Serra da Saudade, segundo lugar no ranking nacional de população pequena, sofreu uma queda no número de residentes:
de 873 para 815.
899mil
Número de domicílios que, embora com evidências de serem habitados, foram encontrados fechados pelos recenseadores. O montante representa 1,3% do total de residências que tinham que ser visitadas. Mesmo os locais fechados tiveram o número de pessoas estimado, com base em uma metodologia utilizada pelo IBGE e validada internacionalmente. Em 56,5 milhões de domicílios, foi possível aplicar o questionário aos moradores (foto).
13.024
É o número de habitantes por quilômetro quadrado registrado no município conhecido como formigueiro da América: São João do Meriti, no Rio de Janeiro. O índice do Brasil é de 22,43. No Distrito Federal, há 207,40 habitantes a cada quilômetro quadrado.
Bulindo vespeiros
Dilma aperta o passo das decisões e incomoda usineiros, petistas, sindicalistas e banqueiros
Apesar do risco de acomodação inerente a um governo de coalizão, a presidente Dilma Rousseff começa a demonstrar vontade de apertar o passo das decisões, inovando em relação ao estilo administrativo do ex-presidente Lula, mais conciliador e pouco propenso a decidir contrariando interesses. Sem acordo, Lula deixava o tempo passar.
Foi assim, entre tantas outras decisões para “ontem” que empurrou com a barriga, com a ampliação dos aeroportos — um pepino que Lula sabia que o governo não resolveria por faltar ao Estado capital e know-how executivo. Ele deixou passar para não se indispor com os adversários da privatização, uma coalizão que reúne sindicatos do funcionalismo federal e setores majoritários do PT.
Dilma encara tais questões por mais de uma ótica, pondo para trás o PT e lobbies corporativistas. Os aeroportos, por exemplo, estão esgotados, aproximam-se os eventos da Copa do Mundo e as Olimpíadas, é crescente a irritação e o desconforto dos passageiros — e cada vez mais das classes populares —, além de estar à beira do colapso a segurança dos voos pelo congestionamento dos pousos e decolagens.
Era preciso fazer algo, e ela fez. Menos do que a urgência sugere que terá de fazer: a concessão completa de todos os aeroportos, ou ao menos dos de maior tráfego. Ela decidiu abrir ao setor privado a construção e operação de novos terminais em apenas dois deles, o de Viracopos, em Campinas, e o do Galeão, no Rio.
Essa fórmula não é eficiente. A convivência da estatal Infraero e um operador privado num mesmo aeroporto prenuncia trombadas entre as duas administrações. Isso é disfuncional. Mas já é um avanço.
Em coerência com o seu perfil de gestora, atributo valorizado por Lula ao anunciá-la como candidata a sucedê-lo, Dilma parece pouco à vontade para procrastinar malfeitos, mesmo ao custo de não ter a unanimidade, como já demonstra o encaminhamento de questões cujas soluções estavam interditadas há anos, décadas até, devido à falta de consenso político sobre como resolvê-las.
Esta semana, além da decisão sobre os aeroportos, ela começou a implodir dois outros velhos tabus: anunciou a reforma da gestão do governo, começando pela área de saúde, e a desmontagem do laissez-faire do mercado de álcool combustível, cuja supervisão passou à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), conforme medida provisória publicada na sexta-feira.
Açúcar melou o etanol
Em síntese: numa mesma semana, Dilma contrariou os usineiros, uma gente acostumada desde o Império a fazer os governos de gato e sapato, e deu de ombros aos estatizantes de seu próprio cercado. E isso envolvendo apenas o que veio a público. Nos bastidores, sem lá muita cerimônia, batalha para desinterditar outras questões.
O caso do etanol é típico da associação entre o curtoprazismo do lucro e a inércia das políticas regulatórias. Sabe-se que, toda vez que o preço do açúcar dispara no mercado internacional, o usineiro manda às favas os compromissos com o fornecimento de etanol para a mistura à gasolina e o abastecimento direto dos veículos flex. É um jogo perigoso, que ameaça a lógica dos mercados desregulados.
O mercado sequestrado
Duas décadas atrás, os usineiros enterraram o primeiro Proálcool, deixando milhares de proprietários de carros a álcool na mão, ao se entregarem a outro rali dos preços do açúcar, e para gosto da Petrobras, então inundada em gasolina. Quando a febre passou, não havia comprador para álcool carburante. O governo de plantão veio em socorro dos usineiros aumentando para 25% a mistura à gasolina.
A cena se repetiu no primeiro governo Lula e ele nada fez. Voltou com Dilma, mas com a Petrobras, agora, tendo de importar gasolina, cujo preço sobe na bomba por causa do etanol. Seu preço é livre.
Tratando o intratável
Com a inflação ardendo e a Petrobras precisando ajustar o preço da gasolina ao novo patamar do petróleo, está em pauta reduzir a mistura do álcool de 25% para 20% ou 18%. E Dilma vai resolvendo os problemas irresolutos, como a privatização de aeroportos, que ela mesma refugava como solução. Lula pôde adiar tais respostas.
Ela não. A folga de caixa não há mais. Ele a usou. E a percepção é que a condescendência da sociedade não fez parte de seu legado. Só lhe resta ir em frente e tratar o intratável, como o resquício de correção monetária ou indexação, obstáculo à queda da inflação.
Ela quer mexer nesse cipoal, e logo pela indexação das operações financeiras. Vai levar tiro da banca, como já leva dos sindicatos pela privatização de aeroportos. A sua coragem será reconhecida.
O suporte legitimador
Revolver interesses estabelecidos não é para qualquer um num país em que fortunas são construídas à sombra do Estado, servindo-se de regramentos propositalmente ambíguos e acesso facilitado ao erário a pretexto de acomodar partidos aliados em nome da governança.
Até por esse histórico, o governante reformista precisa do apoio de uma tecnocracia inteligente e que sue a camisa não por causa do calor abrasivo do Planalto Central. A retaguarda parece frágil, a se avaliar pelo desempenho das obras do PAC. Tome-se o saneamento como exemplo: menos de 4% das obras foram concluídas, conforme o Instituto Trata Brasil expôs à Comissão de Meio Ambiente da Câmara esta semana. E resultado é só o que legitima agendas reformistas.-Antônio Machado-
MP entra com ação contra reajuste a vereadores
O procurador-geral de Justiça, Fernando Grella Vieira, ajuizou ação direta de inconstitucionalidade (Adin) contra resolução de 1992 da Câmara Municipal que atrela salários dos vereadores aos dos deputados estaduais. A medida traz pedido de liminar para sustar os efeitos do decreto até o julgamento final.
A ação se baseia em decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal de Justiça para defender que a vinculação salarial é proibida pelo artigo 115 da Constituição Estadual.
Vieira também alega violação do princípio da moralidade administrativa, que inclui a “inalterabilidade do subsídio durante a legislatura municipal”. Com base no decreto de 1992, a Câmara anunciou que replicaria aos 55 parlamentares o reajuste aprovado em dezembro pelos deputados federais. Isso faria o salário de vereador saltar de R$ 9,3 mil a R$ 15 mil – 75% dos vencimentos de um deputado estadual, que, por sua vez, recebe 75% do federal.
O Ministério Público já havia recomendado que a Câmara não desse aos vereadores o aumento de 61,8%, alegando inconstitucionalidade do decreto, e chegou a abrir inquérito civil para apurar sua legalidade. O mesmo entendimento foi dado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), para quem o reajuste só pode ser fixado para a legislatura seguinte.
Defesa da regra
O presidente da Câmara, José Police Neto (PSDB), disse que a Casa vai apresentar defesa da regra interna que vigora há quase 20 anos. “De qualquer forma, essa ação direta reconhece que o nosso entendimento estava correto, porque deve ser debatida a constitucionalidade do decreto e não se houve improbidade”, disse.
“Na prática, essa liminar não tem efeito, porque já havíamos decidido suspender o pagamento depositando a diferença em conta exclusiva. Se for reconhecida a constitucionalidade da regra, os parlamentares receberão o pagamento depois. Caso contrário, os recursos voltam à conta única da Casa”.
O mesmo decreto foi usado para reajustar os salários dos vereadores entre 1993 e 1994, na gestão Paulo Maluf (PP). Os 55 parlamentares da época foram condenados este ano a devolverem R$ 5,3 milhões aos cofres públicos.JT
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sábado, 26 de fevereiro de 2011
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Sábado, Fevereiro 26, 2011
Prefeito de cidade baiana foge após revolta
Uma onda de protestos contra a violência em Valença (BA), cidade litorânea 255 quilômetros ao sul de Salvador, levou o prefeito da cidade, Ramiro Campelo de Queiroz (PR), a fugir do município e procurar abrigo em Salvador.
As manifestações começaram na tarde de quinta-feira, 24, na frente da Câmara Municipal. O estopim foi a demora para a liberação, para o sepultamento, do corpo de um jovem de 25 anos que havia sido assassinado dentro de casa, durante um assalto, na noite anterior.
Revoltada, a população passou a cobrar das autoridades mais segurança e a contratação de médicos-legistas para ao município. Em seguida, manifestantes atearam fogo em pneus nas ruas centrais do município, quebraram vidros e portas de lojas, da Câmara e da Prefeitura e promoveram saques a pelo menos dez estabelecimentos comerciais – alguns deles de propriedade da família do prefeito, que tem uma concessionária de veículos e uma rede de lojas de móveis e eletrodomésticos.
Temendo sofrer ataques em casa – um imóvel térreo de muros baixos -, Queiroz pediu escolta policial e deixou a cidade na noite de ontem, junto com a família, rumo a Salvador, pelo ferryboat.
Segundo a delegada Glória Isabel Santos Ramos, da 5ª Coordenadoria Regional da Polícia Civil (Coorpin), responsável pelo município, as manifestações foram contidas ainda durante a noite de ontem. Três pessoas foram detidas em flagrante, por furto. Os objetos, segundo a polícia, foram recuperados.
O prefeito passou o dia na capital e, depois de dizer que retornaria ainda nesta sexta-feira para Valença, voltou atrás e decidiu retornar no sábado. Ele afirma querer se encontrar com o governador Jaques Wagner (PT) para discutir a situação da segurança pública no município. Wagner está em viagem, na Coreia do Sul, e volta no sábado.
Valença registra índice de homicídios semelhante ao de Salvador, em torno de 60 casos para cada 100 mil habitantes, e as notificações têm mantido ritmo crescente. Em janeiro deste ano, foram registrados 11 assassinatos no município, ante sete no mesmo período do ano passado.
De acordo com o levantamento Mapa da Violência 2011, divulgado ontem pelo Instituto Sangari e pelo Ministério da Justiça, a Bahia foi o segundo Estado onde o número de homicídios mais avançou no País entre 1998 e 2008, com aumento de 237,5% no montante de casos, atrás apenas do Maranhão (297%). No período, o Estado saltou da 22ª posição, entre os mais violentos, com 9,7 homicídios por 100 mil habitantes, para a oitava, com 32,9 assassinatos por grupo de 100 mil pessoas.Por.Tiago Décimo - JT
Sob risco de apagão, SP apela à iniciativa privada
Sob risco de novos apagões, o governo de São Paulo vai propor que grandes consumidores do Estado, entre eles empreendimentos comerciais e residenciais, gerem a própria energia com geradores e saiam do sistema elétrico nos horários de pico.
A proposta é do secretário de Energia de SP, José Aníbal, como uma das alternativas para o consumidor evitar o colapso do sistema.
Na última terça, um problema de transmissão deixou cerca de 2,5 milhões de pessoas sem energia na capital. O governo admite que novos apagões podem ocorrer na zona sul, principal região afetada dessa vez, e também na zona norte e no ABC.
Segundo Aníbal, os conjuntos habitacionais, empreendimentos comerciais e shoppings "vão ter que ter" uma geração própria -até por prudência diante de "insuficiências" do sistema.
O governo não pretende tornar a medida obrigatória.
"Nos momentos de pico, eles saem da rede e fazem geração própria. Vai ter que trabalhar nisso. Isso não é só saudável do ponto de vista do conjunto do sistema, como é prudente do ponto de vista das insuficiências da transmissão da empresa que está aí. Vamos estimular."
Esse será, inclusive, a principal mensagem do governo num simpósio que será realizado no dia 24 em São Paulo.
"Vamos convidar para o evento o pessoal de shopping center, hotelaria, grandes conjuntos comerciais, estimulando essa gente que tenha esse equipamento. Não ter apenas como reserva. É ter esse equipamento para momentos de pico de consumo de energia", disse.
O risco de colapso no abastecimento em SP é conhecido há pelo menos três anos.Na época, os técnicos colocavam como urgência a construção de uma subestação para amenizar o risco de apagão na zona sul, principal região afetada agora.De concreto, o governo tem pouco para estimular a saída de consumidores do sistema elétrico. Além do seminário, a pasta de Energia deve enviar à Secretaria da Fazenda um pedido para redução de ICMS sobre grupos geradores movidos a etanol, mas não é certa essa redução.
Para o professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP Célio Bermann, o governo "busca tirar soluções da cartola" que poderiam ser obtidas com gerenciamento e manutenção.
"Gerenciamento de carga retirando grandes consumidores [da rede] apenas ilude com a perspectiva pontualmente de redução de consumo", disse.Folha
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domingo, 13 de fevereiro de 2011
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Domingo, Fevereiro 13, 2011
PF cria base em SP para achar vítimas da ditadura
A Polícia Federal começa a usar amanhã uma base de exames permanente em São Paulo para buscar a identificação de corpos de desaparecidos políticos vítimas da ditadura militar (1964-1985) supostamente enterrados nos cemitérios paulistanos de Vila Formosa e Perus.
As atividades no novo posto de trabalho, viabilizado por uma parceria com o IML (Instituto Médico Legal) de São Paulo, terão como foco inicial a descoberta dos restos mortais do militante Sérgio Corrêa, da ALN (Ação Libertadora Nacional).No início de dezembro, peritos da PF retiraram do cemitério de Vila Formosa várias ossadas de uma vala que provavelmente recebeu o corpo de Sérgio, de acordo com as apurações do órgão.
Jeferson Evangelista Corrêa, chefe de medicina forense do INC (Instituto Nacional de Criminalística da PF), afirma que serão feitos exames antropológicos nos restos mortais, o que inclui a verificação de arcadas dentárias, dimensões de ossos e características de sexo e idade.
Essas perícias permitirão uma triagem inicial para definir quais ossadas serão submetidas a exames de DNA.
Segundo Corrêa, o trabalho será feito em uma sala do IML em caráter permanente, com pelo menos dois peritos da PF e dois do instituto paulista até o final dos trabalhos de identificação.
MAIS RAPIDEZ
Anteriormente, as atividades de investigação foram realizadas em etapas e com interrupções, e agora a meta é dar um andamento mais rápido às apurações, de acordo com o perito da PF.
Na próxima segunda-feira vão ser retomados os trabalhos de busca da ossada do também militante da ALN Virgílio Gomes da Silva, supostamente enterrado no cemitério de Vila Formosa.
Nas últimas semanas, peritos de geofísica da PF analisaram fotos aéreas, mapas e registros antigos do cemitério para delimitar as áreas com maior probabilidade de ter recebido o corpo.
As ossadas eventualmente retiradas na nova etapa de exumações em Vila Formosa também deverão ser analisadas em São Paulo.Em Brasília, equipes da área de genética do INC estão realizando exames de DNA em restos mortais recolhidos no cemitério de Perus em outubro de 2010.
A meta é identificar os corpos dos militantes de esquerda Luiz Hirata, da organização AP (Ação Popular), e Aylton Adalberto Mortati, do Molipo (Movimento de Libertação Popular), desaparecidos desde 1971.
A PF também prevê a realização de trabalhos nos cemitérios do Araçá e de Parelheiros nos próximos meses.
Suspeito de enriquecimento ilícito, Paulo Preto é alvo de promotor
O promotor de Justiça Roberto Antonio de Almeida Costa requisitou da Secretaria de Estado da Justiça cópias das declarações de rendas e bens do engenheiro Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, ex-diretor da Dersa. O promotor investiga suposto enriquecimento ilícito.
Em outro ofício, encaminhado diretamente ao próprio engenheiro, o promotor o questiona se ele abre mão do sigilo bancário e fiscal espontaneamente. O promotor também requereu da Secretaria de Estado dos Transportes documentos relativos às atividades exercidas pelo engenheiro, cargos exercidos e atas respectivas da Dersa.
Almeida Costa atua na Promotoria do Patrimônio Público e Social, unidade do Ministério Público que investiga violações à Lei de Improbidade que resultem em danos ao erário. O promotor abriu inquérito civil para investigar se Souza e familiares dele se beneficiaram de contratos firmados pela Dersa com empreiteiras, por meio de triangulações.
Souza trabalhou na Dersa entre 2007 e abril de 2010, quando o governador era José Serra (PSDB), e foi exonerado por Alberto Goldman. Tornou-se personagem da campanha eleitoral ao ser acusado pela revista IstoÉ de ter sumido com R$ 4 milhões, que teriam sido arrecadados em nome do PSDB.
Máquinas. Um contrato sob suspeita, no valor de R$ 91 mil, teria favorecido a empresa Peso Positivo, cujos sócios são um genro e a mãe de Souza. Essa empresa foi contratada por um consórcio para locação de máquinas para obras do Rodoanel.
"Doutor Paulo não tem qualquer receio em relação a seus dados bancários e fiscais", reagiu o advogado José Luís Oliveira Lima, que defende o ex-diretor da Dersa. "A postura do doutor Paulo Vieira à frente da diretoria da Dersa foi pautada sempre pela legalidade e pela ética." Estado
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sábado, 12 de fevereiro de 2011
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Sábado, Fevereiro 12, 2011
Professores reprovados
Um aluno que é reprovado num exame não pode passar de ano. A lógica, tão óbvia, deveria valer também para os professores. Mas não é isso que ocorre no Estado de São Paulo.
Os professores temporários que não passaram na prova (acertaram menos de metade das 80 questões) poderão mesmo assim dar aula na rede estadual.
Se não houver professores concursados ou temporários que tenham passado na prova interessados em uma vaga, o mestre reprovado poderá dar aula normalmente.
É impossível acreditar que a qualidade do ensino possa melhorar com um professor que não conseguiu ser aprovado numa prova de seleção.
Em 2009, em torno de 40% dos temporários não tiveram o desempenho mínimo. Os resultados do ano passado ainda não estão disponíveis.
É claro que é melhor ter um professor ruim do que não ter nenhum. Mas São Paulo não pode pensar pequeno assim.
É preciso sanar a falta de docentes nas escolas da rede estadual. Não é mais aceitável que alunos sejam prejudicados e fiquem, em alguns casos, meses sem aulas de algumas matérias.
Os baixos salários, a falta de prestígio social e as condições ruins de trabalho ajudam a piorar o quadro.
Para combater esse cenário, o governo precisa aumentar a contratação de professores concursados, com salários decentes e melhor estrutura.
A novela do uso abusivo de profissionais temporários e despreparados precisa de uma vez por todas ser encerrada.
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
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Sexta-feira, Fevereiro 11, 2011
Cabral pretende mostrar UPP para Obama
Representantes do governo dos Estados Unidos estão no Rio para traçar o roteiro da viagem do presidente Barack Obama à cidade, prevista para o dia 20 de março. Agentes de segurança e diplomatas americanos percorrem favelas que têm Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e, ao final das vistorias, devem escolher uma comunidade a ser visitada por Obama. Ontem, o grupo esteve nas favelas Dona Marta (Botafogo) e Cantagalo (Copacabana).
Acompanhados pela coordenadora de Polícia Comunitária da Secretaria de Segurança do Estado, Cláudia Otília, os americanos verificam as condições de acesso a cada favela, conhecem as UPPs e visitam projetos sociais. Eles também têm se reunido com representantes da Casa Civil do Estado.
A sugestão do governador Sérgio Cabral (PMDB) aos americanos é que Obama visite o morro do Chapéu Mangueira, no Leme (zona sul), de onde se avista toda a praia de Copacabana. Com a notícia de que o presidente americano vem ao Rio e pretende visitar uma favela pacificada, começou a torcida entre os moradores. "Ainda estamos esperando uma confirmação, mas receber o presidente Obama seria muito bom para a autoestima do pessoal, renderia grandes frutos para a comunidade e para o Brasil todo", diz o presidente da Associação de Moradores do Chapéu Mangueira, Valdinei Medina.
O presidente da Associação de Moradores do Morro Santa Marta, onde fica a favela Dona Marta, José Hilário, teve um rápido contato com a comitiva estrangeira, na tarde de ontem. "Eles deram uma passada pela associação. Eu tinha ouvido falar que o Obama vem aqui mesmo, mas vamos ver", disse Hilário, torcendo por mais uma visita ilustre à comunidade que já recebeu os astros Michael Jackson e Madonna.
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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
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Quarta-feira, Fevereiro 09, 2011
Na Casa do Povo, a invasão dos escorpiões
A Câmara dos Deputados está infestada, o veneno se espalha e ferroadas foram registradas. Escorpiões invadiram as dependências da Casa.
Corredores, frestas e gavetas transformaram-se em palco de uma desagradável surpresa para visitantes, políticos e funcionários. Nos últimos meses, os bichos escaparam dos dutos e galerias em busca de comida. O problema maior está concentrado no subsolo do Anexo III, onde escorpiões chegaram até a cair do teto para se abrigar no teclado de computadores.
Uma inusitada coleção no departamento médico da Câmara dá mostra do problema. As etiquetas dos pequenos frascos indicam: 1.º de fevereiro, banheiro feminino; 17 de janeiro, teclado de computador; 26 de janeiro, arquivo médico. "Escorpiões apareciam vez ou outra. Mas agora o problema está se tornando mais frequente", afirmou Marco Antonio Henrique, técnico de gesso. Ao todo, a coleção reunida nos últimos anos soma 21 frascos.
Há duas semanas, ele capturou um escorpião. "O bicho é ruim até para morrer. Ficou um tempão no álcool ainda vivo", observou. "Não colecionamos todos. Muitas vezes, as pessoas matam e jogam no lixo."
Parte dos profissionais até mudou sua rotina: precavidos, muitos chacoalham casacos antes de vesti-los ou checam bolsos e gavetas antes de pôr a mão.
O cuidado não é exagerado. A funcionária da limpeza Marilena Cecil, de 49 anos, diz ter sido picada em dezembro, no Anexo II. "Tirei o uniforme e, quando fui pegar o sapato para ir embora, fui picada", contou.
A assessoria de imprensa da Câmara atribuiu a maior frequência de escorpiões à dedetização ocorrida antes da posse dos deputados. Com a falta de alimentos, principalmente baratas, os escorpiões saem da toca em busca de outras presas.
A Câmara informou ter chamado a zoonose e um produto específico para combater os escorpiões foi aplicado. "Esse aumento de população é preocupante. Escorpiões não são agressivos, mas podem causar acidentes", disse o gerente de controle de zoonose da Vigilância Ambiental do Distrito Federal, Rodrigo Menna Barreto Rodrigues.
Teve apagão em São Paulo. Imprensa escondeu
Várias falhas na Subestação Bandeirantes da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep), na zona sul, deixaram 2,5 milhões de pessoas sem energia na tarde de ontem. Foram atingidos 627 mil imóveis residenciais, comerciais e industriais nas regiões da Paulista, Brigadeiro, 13 de Maio e imediações, Vila Olímpia e Itaim-Bibi, na zona sul, Vila Leopoldina, Perdizes e Pinheiros, na zona oeste. Parte de Guarulhos também sofreu com o apagão.
Oficialmente, foram 30 minutos sem luz, em dois períodos - das 15h11 às 15h34 e das 16h40 às 16h46. Mas, pela manhã, moradores e trabalhadores da região da Avenida Engenheiro Luiz Carlos Berrini, onde fica a subestação, já haviam sentido outros apagões. O arquiteto Caio Tadeu de Moraes, de 31 anos, por exemplo, disse que o maior blecaute, de mais de 1 hora, aconteceu de manhã. "Estava trabalhando em um projeto e tive de refazer tudo após perder o arquivo."
Houve transtornos em vários pontos da cidade. Segundo Francisco Pedrosa, dono de lanchonete na Rua Sansão, paralela à Berrini, o blecaute teve início às 10 horas. "Durou cerca de duas horas e queimou minha geladeira." Edilza Maria da Silva, frentista na Berrini, também viu vários apagões de 5 a 15 minutos. "Ficamos sem conseguir abastecer e passar cartões."
Sem água. Nas zonas sul e oeste - Jardim Ângela, Grajaú, Butantã, Morumbi, Brooklin, Jardim São Luís e Jabaquara - e nas cidades de Embu, Embu-Guaçu e Taboão da Serra o abastecimento de água foi interrompido à tarde por causa do blecaute. A normalização só começaria a ser feita à noite. De acordo com a Sabesp, a primeira queda de energia parou todo o sistema de bombeamento da Represa do Guarapiranga para os reservatórios e em seguida aos clientes.
O Aeroporto de Congonhas ficou às escuras das 15h12 às 15h25. Segundo a Infraero, voos não chegaram a ser afetados. Nas ruas, dezenas de semáforos ficaram desligados, muitos em grandes avenidas, como Paulista e Santo Amaro. Às 19 horas, o congestionamento na cidade era de 110 quilômetros.
A Cteep transmite energia à Eletropaulo, que a distribui aos consumidores. São 102 estações no Estado. A queda de energia foi provocada pelo desligamento de um disjuntor de alta tensão de um dos três transformadores da Subestação Bandeirantes - em março de 2008, houve problema semelhante. A empresa não soube dizer o que provocou o problema ontem, mas disse que a cada três anos é feita uma manutenção completa dos transformadores - a última foi em 2009. "Um dos três transformadores de 345/88 kV apresentou falha, o que levou à atuação de seu sistema de proteção e, como consequência, desligaram-se os outros dois transformadores", informou, em nota.
À noite, a empresa informou que os transformadores da Subestação Bandeirantes têm operado próximo à capacidade máxima, mas sem sobrecarga. E que o problema de abastecimento na zona sul da capital só deverá ser solucionado em fevereiro do próximo ano, quando deve ficar pronta uma nova subestação, a Piratininga 2, em Interlagos.
Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o religamento da energia começou por hospitais, transporte público e setores prioritários. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) cobrou esclarecimentos sobre o blecaute e reconheceu que as quedas de energia têm ocorrido em proporção maior neste ano. / COLABORARAM NATALY COSTA, GUSTAVO URIBE e RODRIGO BURGARELLI
CRONOLOGIA
Problema frequente
Novembro de 2009
18 Estados no escuro
Três curtos-circuitos nas linhas de transmissão entre a Usina de Itaipu e o Sudeste deixaram 70 milhões de pessoas, de 18 Estados, sem luz por 4 horas no dia 10. Durante todo o verão, há uma sequência de apagões no País.
Setembro de 2010
SP sem luz por 8 horas
Eletropaulo diz que "falha no sistema subterrâneo" prejudicou o centro da capital.
Novembro de 2010
1 milhão de atingidos
Pane em subestação de energia afeta 20 bairros de SP por 33 minutos no dia 22.
Fevereiro de 2011
8 Estados do Nordeste
Falha em Subestação de PE causa apagão de 5 h no dia 4.
Kassab coloca mais 5 coronéis no comando das subprefeituras
A cota de coronéis no comando das subprefeituras paulistanas cresceu ainda mais ontem, quando cinco novos oficiais da reserva da Polícia Militar foram nomeados subprefeitos pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM).
Agora, dos 31 subprefeitos, 22 são coronéis da reserva -71% do total, ou sete em cada dez subprefeitos-, assim como os chefes de gabinete.
As indicações são feitas pelo comandante-geral da PM Álvaro Camilo, mantido no cargo pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), e avalizadas por Kassab, que apenas informa o secretário das Subprefeituras, Ronaldo Camargo, e os subprefeitos sobre a mudança.
Ontem, Kassab participou de um evento ao lado de Camilo -o anúncio de um projeto de turismo comercial que envolve a "feirinha da madrugada", no Brás.
A prefeitura informou, em nota, que "a nomeação de novos subprefeitos e chefes de gabinete baseia-se em critérios técnicos que levam em consideração o currículo e a competência de cada nomeado para o cargo".
De acordo com o governo, "não há outras mudanças previstas", ou seja, não há planos de que todas as subprefeituras sejam comandadas por militares.
ALIADOS
Wilson Pedroso (Vila Prudente), Roberto Tamura (Itaquera) e José Rubens Domingues Filho (Cidade Ademar) eram indicados do PSDB, maior partido da base de apoio a Kassab. Celso Capato (Perus) e Regis Gehlen de Oliveira (Butantã) faziam parte da cota pessoal do prefeito.
Todos foram nomeados em outros cargos, com salários menores -o subprefeito ganha R$ 6.802,74.
Tamura, ex-prefeito de Capão Bonito, é o novo superintendente do Serviço Funerário. Os demais ocupam agora cargos de assessores do secretário das Subprefeituras.
Kassab deve trocar o DEM pelo PMDB nos próximos meses, mas pretende manter o PSDB em sua base de apoio. A legenda ainda tem o controle das subprefeituras de Capela do Socorro, M'Boi Mirim e Vila Maria, além de várias secretarias, como Educação e Saúde.
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Dilma 13 presidente
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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
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Sexta-feira, Fevereiro 04, 2011
Ao presidir sessão, Marta corta microfone de Suplicy no Senado
Em sua estreia na presidência de uma sessão plenária do Senado, Marta Suplicy (PT-SP) adotou ontem atitude rigorosa para controlar o tempo dos discursos, incluindo o do ex-marido Eduardo Suplicy (PT-SP).
Marta o alertou por três vezes sobre ter de encerrar o pronunciamento e acabou cortando seu microfone -embora tenha permitido que concluísse as palavras.
"O último minuto, senador", disse a petista.
Marta também endureceu o jogo para a oposição. O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) reclamou do tempo extra a Suplicy e a Inácio Arruda (PC do B-CE).
Sem experiência na função, recorreu a assessores para tomar decisões. Primeira-vice-presidente do Senado, assumiu o comando com a ausência de José Sarney (PMDB-AP), que saiu do plenário em sua homenagem.
Na Câmara, a primeira deputada a assumir um posto na Mesa Diretora, Rose de Freitas (PMDB-ES), também estreou na presidência. Ela ficou duas horas e meia no cargo.
Dilma
Ao longo da campanha eleitoral a candidata governista foi alvo de insultos de toda ordem, que incluiu calúnia, injúria, difamação e muito deboche. Era o poste de Lula, "maria vai com as outras", teleguiada, inexperiente, temperamental. O desastre, enfim. Desprezava-se sua brilhante atuação à frente dos Ministérios de Minas e Energia e da Casa Civil, durante os oito anos do governo Lula, e sua biografia de mulher provada na adversidade. Para os adversários, a recuperação do poder estava acima da ética e da decência. Eleita, empossada e em ação, Dilma Rousseff chega ao final de seu primeiro mês à frente da Presidência da República sem surpresas, mostrando o que sempre foi: competente, determinada, discreta, líder natural de indiscutível sensibilidade política. O sábio povo brasileiro fez a escolha certa. Até os críticos deixaram o tom rancoroso que sempre caracterizou suas posturas diante do ex-presidente Lula e do seu governo, e pegam mais leve.
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Dilma 13 presidente
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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
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Terça-feira, Fevereiro 01, 2011
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